11 agosto, 2009

Mas... e... AGORA?

Estar em paz não é uma simples homeostase, não é simplesmente deixar um estado de tensão, não é não brigar com ninguém, não é somente conseguir ficar bem consigo mesmo; é maior. Viver, de forma real, já é um oasis difícil de encontrar, conseguir estar no presente momento e se entregar ao que ele proporciona é um grande desafio a quem acha que vive, mas só existe.

Aos que agem de acordo com o que querem, dando o devido valor ao que está a sua frente e não apenas fica no plano de ação, já está no caminho para encontrar a paz. Ela não acontece no futuro, onde tudo pode acontecer, onde ainda é sonho, nem no que passou, onde já foi sonho e talvez tenha sido realidade. A vida acontece de formas diferentes para cada um. Quem se vê como merecedor de viver, age de acordo com o que a vida pede que ele faça. Ele procura agir de acordo com o que a situação, o momento, a notícia pede. Isso é ser criativo. É conseguir ser e agir de acordo com a demanda da vida, da situação; é adequar-se, sendo o que se é, de forma integral. Darwin chamaria de "auto-presenvação", "tendência a evolução" ou até "instinto de adaptação".

Saindo do campo de estudo do biológico, trazendo essa bagagem epistemológica, junto ao que Carl Roger chama de Tendência Atualizante, termo que representa a confiança na tendência inata que o ser humano tem de ser o melhor que ele pode ser, em quaisquer situações. Essa confiança que tanto nos falta, desde que nascemos. Fazem tudo que julgam, por si, que será melhor para o outro. Os passos, os primeiros dados, sempre sobre supervisão atenta, os "nãos", os tapinhas nas mãos, as palmadas no bumbum, os castigos sádicos, os "eu não disse que ia acontecer?!". Tudo na contramão da criatividade, do ambiente favorável ao desenvolvimento e liberdade de ser aquilo que se é; repressão psicológico e de espírito - sim psique carrega o sentido de "alma" em latim.

Por isso a confiança de que o homem é capaz de dar uma resposta nova a um evento novo de forma adequada(situação do presente) e não ficar incrustado/fixado em sentimentos, memórias reprimidas e até conscientemente relembrando o que aconteceu ou que se acredita neuroticamente que tenha ocorrido. A base da grande maioria das neuroses é baseada na vivência -consciente e inconsciente- do passado que aconteceu -ou não- e num futuro que a vida ainda não deu chance de existir. Aquele neurótico fixado no passado trás para o presente, muitas vezes, uma carga que o tira da possibilidade de viver plenamente o presente, fazendo-o repetir e auto-sabotar o que poderia ser dado de forma diferente. O fixado no futuro pode ter a sensação de nunca ter existido, pois o passado nao existe e o presente é indiferente. Este também, muitas vezes, vê o presente como algo inatingível.

Viver em paz consiste em olhar para si, para o passado e para o futuro. Não esquecer, simplesmente, nem deixar de planejar um futuro. Tampouco, ver a cronologia como algo pífio, sem valor; é dar ao que acontece agora dando aquilo que o agora quer: agir no agora, que é onde acontece ou deixamos de fazer acontecer.

"Se eu deixar de interferir nas pessoas,

elas se encarregam de si mesmas.

Se eu deixar de comandar as pessoas,

elas se comportam por si mesmas.

Se eu deixar de pregar as pessoas,

elas se aperfeiçoam por si mesmas.

Se eu deixar de me impor as pessoas,

elas se tornam elas mesmas"

LAO-TSÉ


Dica de leitura: "Tornar-se Pessoa" - Carl Rogers.

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