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12 junho, 2011

Nesses Versos


Não há o que a razão não alcance
Tudo podemos esquecer
Conseguimos seguir em frente
Para sempre reaprender

Só sobrevivem os fracos
Que fraquejaram e tremeram
Eles engolem a derrota
E o riso dos que não sofreram

Eles fazem de conta
Engasgam no orgulho
Jamais vencerão
Por nunca ter sentido
A mão que levanta
e aponta o que procuro

Separados vão ao lado
Estão abanando ao céu
Juntos carregam a paz
Que amarram nesses versos
de cordel

06 junho, 2011

O Amanhã?

É dor, calma que vem
Suplanta o mal e o bem
Deixa tudo mortificado
Nem cima, baixo, nenhum lado
Veio, se instalou e foi
Me acaricia, me dá boa noite
Suicido o pouco de mim
Pra ter mais certeza que sofri
Busco o gosto do acostumar
A viver sem herança
O que me deixou, a lembrança
É viva morando no amar
O quanto é amargo
Todo meu suportar

05 junho, 2011

AindAcordar


Gotas semeiam fel
dAquele que aposta o instante
O claro que te faz crescer
É peito a pulsar o meu restante

Possam todos suportar
Em algum planeta pousar
Espalhem a tortura que é
Viver sem o ar, estar em pé
Por não ter onde acordar




02 junho, 2011

Gemido

Quando a dor é tanta, eu vacilo
Posto ao lado, aqui dentro
É que desminto

Ainda, indo, desfaleço no teu peito
Atormento de um jeito
Que nunca mais levanto
Nunca mais entendo
Tudo que a vida leva
Pra agarrar todo teu tormento

Universo

No vazio do quarto
O mundo é infinito
Sonho é uma lenda
Onde tudo é florido

Existe somente ele
Banheiro e cozinha
Roupas lavo ao sol
Quando tudo domina

Leve-me para passear
Até o peito cansar
Sejas como és aqui dentro
Em cada nobre acordar

31 maio, 2011

Entre cachos

Dava pra sentir à distância
Os cheiros leves e macios
Tua presença incondicional

Redobrova as buscas em ti
Arrancando blusa e sutiã
Eu me despi também

Flutuávamos no nada além
Haviam sonhos tocáveis
"Beija a minha mão"

A voz fanha daborada
O moço trabalha ao servir
Faz o dia passar à espera
De ver os cachos sorrirem

A vida seleciona

A vida seleciona quem
fica pelo caminho e
aqueles que seguem
Castelos desmoronam
os ventos desaguam
o magnetismo apaixona
Entre os trens
beijos e adeus
chegadas, sorrisos
Há os que choram
resmugam, concordam
aconselham e se perdem
Conhecem mais dos outros
que a si próprios
dão dicas e certezas
A vida seleciona quem
onde, talvez, como
quando alguém ficará
ou seguirá esse caminho

Continua

Desprende esse aperto que consome
Se tiver na alma a dor
Se houver clamor no amor
Alguma vontade de pegar a mão
Dança em volta da fonte
Clareia a voz que amanhece
É assim que o frio corta
Foi assim que sangrei até morrer
Desde que soube de ti
Juntos éramos tudo
Agora somos o presente
Mesmo em outros viveres
Levanta o peito e estufa a alma
Recém começou
O que não terminou

27 maio, 2011

Enquanto eu durmo


Se tu soubesses que o nada é tudo
Nós não viveríamos em torno da fogueira
Acreditando que ela se chama Sol
Sofrendo por dentro, cuspindo ao longe
Apontamos para satélites, não a Lua
Ouvimos letras, uivos e rancores
Tiros, pedras, bombas e turbantes
De lá caem prédios espelhados
Atiram-se para não se queimar
O fechar dos olhos pode ser sonhar
O findar da vida quando amanhece
Ou a vontade de nesse mundo não acordar

25 maio, 2011

Sobre o Sentido

chora enquanto há o que chorar
respira enquanto soprar o ar
anda sobre o chão que sustenta
ama sempre a fé que te alimenta

não ouça nada que eu falo
esquece o que te digo
vá morar longe daqui
onde não há nenhuma dor
mas habita o teu sentido

22 maio, 2011

hão deixar

os sons são poucos
quando não estás
o profundo fica raso
cama se passa por sofá
domingo vai acabando
teus fios adocicam o que há
são gotículas de suor
que nunca hão de me deixar

19 maio, 2011

Enquanto haver moral

Desde a Grécia
a partir do Oriente
os dias correm livres
onde há homens
sorridentes

Todos pensam a dor
eles que a causam
protegem a imperfeição
pra poucos verem
se é árabe ou cristão

Dias, Séculos, Milênios
o espaço pouco importa
nele somos quem queremos
desde que alma se eleve
pois nunca estará morta

Em todos há esperança
que não se apaga
alguém atreve a esquecer
mas logo acorda sempre
sob a mão que maltrata

Enquanto não haver moral
e amor ao educar
cuspiremos em nossas mães
honraremos ladrões
mesmo após esse mundo acabar

17 maio, 2011

Outono ao lado

sei, a saudade é presença
quando falta a dormência
acordo virado para o lado errado
atrás de mim tu estás
de olhos abertos
contemplando meus olhos fechados
o pouco que sei
é que amanhã será gelado
manhã de outono
sou fruto que não cai
por acordar ao teu lado

O que é nosso


por favor, não
não diga
aquilo que foi
minha condenação

da noite, da manhã
de tanto ardor
quando deixei de ficar
onde desci do andar
que espreguiçava amor

sofrendo, em aperto
costurando a manga
seca lágrimas de tormento
poída de roer
é que isso ajuda
um pouco a esquecer
o quanto passou
de vida e que ainda vou
levando o viver

o "só" que digo
é que agora peço
juro ser digno
de todo calor
ainda pra ser honesto
comigo, com teu peito
com nossos netos
leva-me no bolso
meio sem jeito
enquanto acrescento
o berço mais singelo

posso cambalear pela vida
desde que tenha o verde
que seja dos teus olhos
que me ature, me aguente
estaremos aqui plantando
fazendo do amor o fruto
pra no futuro ser escudo
do que hoje é semente

O amor é bússola

O que a pena não escreve
A tinta atormenta
Correntes de suor no peito
Enquanto o sol esquenta

Está frio aqui dentro
Amanhã eu não sei
É de solidão que vivo
É vida ou esconder

Quando o nada é tudo
A ciência mente
Acaso é desculpa
Pra quem não entende

Buscamos alguma força
Mesmo que seja curta
O norte está aqui
Quando amor é bússola

15 maio, 2011

Diferentes

Pensei em ser leve. Eu sou leve. Meus amigos me diziam que eu era duro e pesado. Decidi não mais ser. Preferi ser um outro, que hoje sou. Procurei em todas as perdições aquilo que nunca encontrara, mas que estava em mim. A c-alma.
Com a calma encontrei a alma. Encontrei outra alma. Ela era meu querer, minha menina, minha satisfação de cuidar. Eu era visto, desde que não necessitasse que ela se abandonasse. Nunca houve erro, houve desencontro. Eram esses desencontros que lhe doíam. Resolveu trazer bússola. Pôs no peito. Mostrou-o a ela. Ela não via bússola porque não via o peito. Comprou uma biruta, pra que talvez o vento fosse mais leve que o magnetismo do instrumento posto no peito. Ela negou o vento, começou a soprar de acordo com os seus pulmões, esqueceu-o novamente. Só restavam dois barcos que agora não formavam esquadra.
Se perderam sem bússola, sucumbiram sem o vento.

Um agora anda, outro agora assopra.

Do não si mesmo

Eu só queria dormir
entrelaçado em liberdade
com aquelas mãos
Cercam meus cabelos
apertam meus joelhos
fazem cócegas
Me traio em ser plural
reviro as gavetas, surgem
meias, completas
somos almas brancas, azuis
O sol veio clarear a chuva
molhou aqueles que sentem frio
mas quando se entrelaçam
aquecem meias almas
completas e cheias
do não si mesmo

11 maio, 2011

Sem esquadra


Pensei em ser leve. Eu sou leve. Meus amigos me diziam que eu era duro e pesado. Decidi não mais ser. Preferi ser um outro, que hoje sou. Procurei em todas as perdições aquilo que nunca encontrara, mas que estava em mim. A c-alma.
Com a calma encontrei a alma. Encontrei outra alma. Ela era meu querer, minha menina, minha satisfação de cuidar. Eu era visto, desde que não necessitasse que ela se abandonasse. Nunca houve erro, houve desencontro. Eram esses desencontros que lhe doíam. Resolveu trazer bússola. Pôs no peito. Mostrou-o a ela. Ela não via bússola porque não via o peito. Comprou uma biruta, pra que talvez o vento fosse mais leve que o magnetismo do instrumento posto no peito. Ela negou o vento, começou a soprar de acordo com os seus pulmões, esqueceu-o novamente. Só restavam dois barcos que agora não formavam esquadra.
Se perderam sem bússola, sucumbiram sem o vento.

Um agora anda, outro agora assopra.

10 maio, 2011

Findar do Fel


Busco nada que não esteja no caminho
Espero nada que me faça esperar
Algum dia, em um templo
Erguerei nenhum altar

Por essas e tantas
Despeço-me do fel
Ele já foi útil
Mas hoje envenena
o que naquele dia fora mel

07 maio, 2011

A alma mais leve


Cada segundo é instante
de morte
sorte
que te levo comigo
Basta um segundo
quando tu segue junto
São dois palpitantes
saltitantes, alegres
Quando se encontram
fazem os dias escorrerem
Faz minha alma mais leve