08 junho, 2011
A Verdadeira Educação - Para a Saúde Mental e Moral
31 maio, 2011
A imagem e o abismo nas redes sociais

As redes sociais estão cheias de ostentação. Ela, por si só, trabalha com evocações de imagens e significados, mas como somos um tanto entediados, precisamos de mais.
Há milhares de anos os humanos se organizam em grupos e constroem as suas identidades. Aqueles grupos são infinitamente menores que os grupos criados nas redes sociais do mundo virtual. Precisamos levantar algumas bandeiras de cores diferentes dos demais para que sejamos alguém. Homens e mulheres gostam disso, mas, relativamente, as mulheres tendem a dar mais valor a aparência e a imagem que pretendem divulgar – agora não para o fim exclusivo de reprodução em círculo restrito; no Facebook, por exemplo, podemos ter mais de 2 mil “amigos”; cada amigo tem outros tantos amigos; a navegação entre os perfis é livre, o que pode impedir é o bloqueio de determinados conteúdos (até que a referida pessoa aceita a sua solicitação e torne a ser conhecido o conteúdo até então privado).
A imagem é utilíssima para vender, no entanto, há um conteúdo por detrás da imagem; dotado de significado, valores e impressões falando, e muitas vezes gritando, informações inerentes àquela pessoa, não necessitando assim perder tempo lendo o que a pessoa estuda, o que faz, a que investe seus neurônios e tempo. Por exemplo: quando entramos em um perfil, clicando nos álbuns, nos deparamos com fotos em que parece ser obrigatório a publicação exclusiva de fotos de festas. Todos sorriem, levantam suas taças, há fotos dos melhores espumantes, pulseiras vip em todos os punhos, e todo o resto que todos já se depararam. O que há por trás de tudo isso?
O óbvio é constante; tal como pode ser esse texto. Vivemos em um mundo onde a masturbação visual é freqüente. Tudo brilha e se modifica nas mãos de habilidosos em softwares como Photoshop e até nos programas do Picasa. A imagem que foi captada pela lente da câmera - seja ela do iPhone, celular ou até mesmo de uma câmera profissional(!) – passa pelo “filtro” próprio do equipamento. Mas somos entediados, precisamos de mais. Após o primeiro filtro, aplicamos outros tantos de acordo com a nossa vontade de mostrar exatamente e somente aquilo que desejamos que os outros vissem. Está tudo devidamente moldado, paralisado e o pior: esterilizado, cheirando a formol tecnológico.
Tenho a impressão de que não nos apropriamos de nós mesmos; à priori precisamos de ferramentas e meios que modifiquem as impressões que talvez os outros terão de nós, ao invés de me modificar, já que não gostaria que me vissem assim como sou. Utilizando um exemplo de Luciano Marques de Jesus, professor de filosofia da PUCRS, onde retrata a situação tediosa que somos acometidos: a menininha tem a boneca que come, a que bebe água, a que anda, a que engatilha e faz coco, a que fala, a que fala e chora e até a que dorme. Ela quer a primeira boneca, mas ela não é suficiente (e não há problema nisso), nós nos contentamos com pouquíssimas coisas, por isso acumulamos pilhas e pilha de bugigangas que em tempo recorde deixarão de matar o meu tédio. Domingo à tardinha é o ponto alto dos entediados.
Estamos vazios. Eis a pior parte deste texto. Há um vácuo existencial em nossas almas. Recorremos a redes sociais com a esperança de ter alguém presenciando o meu sofrimento, aquilo que nem sei o motivo de estar vivendo e expressando; só sei que estou. As coisas infelizmente são mais suscetíveis de serem mudadas; os seres penam e se contorcem em sua covardia em labutar em busca de uma realização rica de sentido, que seja útil para alguém e que talvez enriqueça essa vida miserável baseada na imagem oca. A felicidade, como todos as maiores realizações, só é alcançada como efeito colateral a realizações de valores; alcançada sempre a longo prazo, após muita aprendizagem, experiências e entrega aos meios que estão possibilitando os fins.
Se parecer uma crítica a quem ler esse escrito, terei atingido o objetivo que me propus. Criticar é pensar com argumentos. Talvez seja construtivo criticarmos o Rei Roberto Carlos pelo verso “Eu quero ter um milhão de amigos”, porque, afinal, ninguém pode ter um milhão de amigos verdadeiros em uma rede social, mas podemos ter poucos followers com quem dividimos abraços, idéias e palavras de amor que nenhum software poderá criar ou modificar.
15 maio, 2011
Antimanicomial - Um Movimento?!

A história mostra os movimentos da relação entre loucos e sociedade. Eles já habitaram leprosários, prisões, ilhas, hospitais gerais e manicômios. Dividiram espaços com leprosos, tuberculosos, criminosos e toda sorte de portadores de alguma coisa que apontasse para o adoecimento. Mas a cronologia também aponta que esses loucos já foram sábios, gurus, intermediários entre os deuses e os mortais, bruxos e até mentores de muitas comunidades. Em determinados contextos, com a evolução do pensamento e da ciência, os loucos tiveram tratamento diferente no meio onde viviam; nem sempre tratados com respeito, muitas vezes superestimados em poderes, outras esquecidos – a sociedade, a ciência, o ethos (costumes de um povo) e a religião influenciaram no “diagnóstico” daqueles que eram ajustados ou desajustados, segundo parâmetros relativamente ou hipocritamente estabelecidos.
No final dos anos 1970 surgem os primeiros movimentos críticos da reforma psiquiátrica no Brasil, tentando fazer uma reformulação do pensamento com relação ao tratamento e eticidade com relação aos desajustados ou, se preferir, portadores de sofrimento psíquico. Essa forma de pensar foi muito influenciada pelo zeitgeist da década anterior, onde surgiram os hippies, artistas como os Beatles, Bob Dylan, as feministas e diversos grupos que defendiam o fim da guerra fria, os confrontos no Vietnã, a valorização dos direitos humanos. Mas é na Itália que criam a lei 180, em 1978, sob o avanço da psiquiatria democrática; um novo modelo de prática psiquiátrica que serviu de parâmetros para novas legislações e relações entre as instituições e os loucos.
Os seres vivos, especialmente os animais, tendem a viver em movimento; seria diferente com os animais que sofrem? Agora tomamos a ordem inversa ao modelo anterior – as instituições que serviam de habitação e tratamento, muitas vezes até o findar da vida do paciente, começam a ser substituídos por novas praticas. As almas doentes começam a ser vistas com direitos e detentores de possibilidades. O espaço físico se amplia, onde tentavam conter o corpo devido ao estigma da periculosidade, busca ajudar o paciente a ter maior liberdade e condições de lidar com essa liberdade, com seus direitos a serviços de saúde, atenção e reinclusão social. Segundo creio, os loucos nunca estiverem fora da sociedade, mas sua existência fora negada nessa sociedade; o que não é sinônimo que não estivessem inseridos. Os loucos, como tantos outros grupos com suas necessidades, hoje tem muitas dificuldades de acesso aos bens básicos como educação, saúde, segurança e principalmente auto-estima.
Além de conhecer a história do movimento antimanicomial, precisamos conhecer o que está sendo feito hoje, onde a loucura nasce e como devemos agir para evoluir. Evoluir, nesse caso, é poder ajudar o outro de forma ética e justa. A loucura surge na educação, na relação familiar, baseada em um ethos, na relação de pais-cuidadores que agem segundo seus valores morais e seus filhos. O dilema está entre os indivíduos e o vazio ético que vivem, levando para a sociedade esse vazio e trazendo para casa toneladas da podridão social. Nos relacionamos com negligência, desrespeito, ignorando que na nossa frente existe alguém e esse outro tem suas necessidades e direitos. É assim que surge a loucura, não de um lugar distante, mágico, em alguma Disneylândia, ou dentro dos manicômios e clínicas psiquiátricas, mas nos cômodos das residências civis, na cozinha, nos quartos e nas salas. Só procura atendimento médico quem está doente ou quer prevenir a doença.
Vivemos uma nova loucura, não a psíquica, neurológica, médica; a loucura moral, antecessora da loucura psíquica. Vivemos uma loucura noogênica, aquela loucura do vazio, do vácuo existencial.
Agora precisamos trabalhar para além dos residenciais terapêuticos, dos Serviços de Atenção Psicossocial, dos ambulatórios hospitalares e tratamentos psicofarmacêuticos; a loucura vem de casa, deve ser constata na escola, tratada desde cedo. Os pais, como os professores (humanos, tal como a criança) necessitam de cuidados. Ninguém está isolado na sociedade, por maior que seja a distância física e psíquica (como viviam nos manicômios), não estavam ali por acaso, existe uma causa proveniente da sociedade e a sua visão ética-política sobre a saúde e doença mental. É necessário abandonar o conceito rígido de “família estruturada” baseada em pai e mãe “saudáveis”. O senso comum, neste caso, não mente: em quase todos os grupos familiares temos relativos graus de loucura.
O desafio é desenvolver o pensamento moral na escola, que esse pensamento surja de dentro para fora, não em novas catequeses sob modelos políticos, ideológicos e/ou partidários. Colégios não sejam os novos manicômios, onde supostamente aprendem, mas que na realidade adoecem e reproduzem a doença das instituições do Estado. Essas crianças sejam cuidadas, suas famílias vistas, o vazio moral e existencial seja substituído pela liberdade de pensamento, responsabilidade sobre ser quem se é e sobre os seus presentes e futuros atos; não se tornem os antigos “alienados” mentais tampouco os novos viciados em alguma droga que diariamente surge.
Nesse 18 de maio, dia da Luta Antimanicomial, convido os leitores a pensar, reformular e abrir as nossas portas manicomiais do Estado. Os loucos talvez não sejam os “alienados” mentais, “loucos de pedra”, e o esquizofrênico da novela; a loucura moral está votando no político que de antemão sabemos que lesou os que confiaram a ele seus direitos básicos; a loucura moral do professor que está mais interessado no conteúdo que exercitará somente a memória, não as atitudes da criança; a loucura moral está no extremo da negligência dos pais quanto ao cuidado ou no excesso de poder que exerce sobre seu futuro “bandido”, “viciado” e “louco”.
Tenhamos confiança que existe um sentido para viver, que esse por que viver se reflita no social ajudando para que talvez surjam novas formas de relação que não sejam loucas moralmente ou psiquicamente.
“Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma
sociedade profundamente doente”
Jiddu Krishnamurti
Mais artigos, ensaios e outros escritos em: www.pelaalma.blogspot.com
Sugestões de leitura:
“História da Loucura” – Michel Foucault
“Em Busca de Sentido – Um psicólogo no campo de concentração” – Viktor Frankl
“Liberdade para Aprender” – Carl Rogers
“Emílio ou Da Educação” – Jean-Jacques Rousseau
17 abril, 2011
A Sociedade do Vazio

“Como viver?” – “Por que viver?”
Gerações atrás receberam as respostas e de alguma forma deram conta da sua vida, mesmo que com narizes torcidos. O mundo parecia girar mais devagar, as informações e conhecimento também corriam com velocidade menor que a de agora. Ensinar, segundo as palavras de Carl Rogers, é tarefa “excessivamente supervalorizada”. Ensinar como viver ou agir é muito útil e proveitoso em um meio que se modifica pouco, onde a velocidade do meio é lenta, ao passo que em um meio veloz como o nosso as informações, as ciências e a natureza se modifica na velocidade do pensamento. Não seria mais proveitoso facilitar o aprendizado através do indivíduo, ao invés de dar o conhecimento que julgamos previamente ser útil? Quem tem fome de alimentos busca o sustento no supermercado. Quem tem fome de conhecimento espera que alguém venha ao seu encontro e entregue já mastigado.
Na escola ou na academia somos ensinados através de livros didáticos e teorias que mais parecem manuais de como proceder. Somos reduzidos a técnicos-não-humanos. Quer saber como amputar um braço? Ali está. Como atender um paciente “depressivo”? Diagnostique-o com o DSM (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), leia o manual de técnicas de entrevista e receite o antidepressivo. Para todo problema existe a solução ou a cura, sem precisarmos nos ater e a refletir. Ser um humano pressupõe pensamento, razão, reflexão, metacognição, mas incrivelmente o ser humano tenta seguir a teoria de Darwin na ordem inversa; “desevolução” da razão. Pergunte o que o indivíduo pensa sobre sua única aula de ética que teve na faculdade ou a disciplina de filosofia e bioética, se ele gostou ou achou útil. A maioria acha “um saco” e inútil. É a desvalorização dos valores humanos, é a coisificação da vida humana, é a técnica pronta contradizendo a frase clichê que poucos se dão conta e conseguem se adaptar de maneira satisfatória: O mundo está em constante mudança e as ciências avançam cada vez mais rápido. Será que as técnicas e suas respostas de agora servirão daqui a um mês, um ano, uma década? Creio ser mais construtivo ajudarmos o ser humano a encontrar as suas respostas através dele mesmo.
Tínhamos valores rígidos e formas de viver pré-estabelecidas: nasce, educa, vai para o colégio, arranja um par para a filha ou o filho, vai a faculdade estudar direito ou medicina, casa, tem filhos. Repete o mesmo ciclo que citei após os dois pontos. Tínhamos as respostas prontas, vindas da boca dos pais, dos professores, mas em um meio onde tudo era mais lento. Não acredito que aquele “método” era melhor, mas com certeza dava mais “resultados” do que os de agora. Um diálogo entre Viktor Frankl e um companheiro que expressava o seu desejo de “ir para o fio”, ou seja, cometer suicídio, repete-se diariamente.
- Não espero mais nada da vida. Ela não faz mais sentido.
- Talvez não seja tu que devas responder a essa vida; ao invés de esperar que ela responda por ti?
Há uma revolução copernicana nesse diálogo. Onde temos um meio que não tenta dar as respostas prontas, o indivíduo tende a ter contato com a responsabilidade de encontrar as suas respostas através de si. Somos famintos por aquilo que possa nos encher de alguma forma. Para isso recorro a conselhos, remédios, bulas, drogas, jogos e toda forma de relação que tenta deturpadamente preencher e dar significado a minha vida, a minha existência. Não temos mais as formas certas e preconcebidas dos pais, eles estão cada vez mais distantes, com menos tempo para nós. Hoje, quem são os nossos pais? É a televisão, internet, jornal e as mídias. Os professores se encontram onde nesse vácuo deixado pelos pais? Que valores são instigados nos indivíduo? Tu, caro leitor desse artigo, percebe que encontrou muito mais perguntas do que respostas? Creio que as pessoas que nos rodeiam devam ser assim. Indaguem, fustiguem e nos ajudem a encontrarmos as respostas, muitas vezes sem emitir uma única palavra.
Escolhemos representantes que trabalhem por nós, votamos neles, consumimos santinhos, mastigamos o horário eleitoral, os colocamos no mesmo saco e despejamos todo esse lixo existencial em uma urna eletrônica. A vida vazia e deturpada se alimenta de mentiras como porcos atrás de mais lixo. Nos alimentamos de restos e excrementos daqueles que nós escolhemos. A escolha, dádiva unicamente humana, reduzida a mentira. Um cidadão em sã consciência entrega os seus pertences a um bandido que não dispõe de meios que possa tirar a sua vida ou atacar a sua integridade física? Um povo que entrega não somente os seus bens (impostos), mas a sua saúde, segurança, educação e oportunidades de emprego nas mãos que sabidamente são de um bandido está louco? Encontre um sentido em entregar a administração da sua vida, da sua família e de toda a nação nas mãos daqueles que não tem o dever ético e moral coerentes com o seu papel. Um povo louco não faz justiça, destrói toda chance de exercer algum poder através da fala ou da escolha sobre a sua vida. Esse é somente um exemplo do vácuo social que nos encontramos, pois ainda temos um governo que incentiva esse povo a consumir cada vez mais e, ao mesmo tempo, tira desse povo cada vez mais tributos. As bolsas, carros, sapatos e televisores não tapam a “nhaca existencial” que vivemos por sermos frustrados de nós mesmos por não assumirmos a responsabilidade sobre o próprio, a própria vida. Queremos a igualdade social, mas essa igualdade é de renda, não de acesso a serviços qualificados em saúde, segurança, educação e infra-instrutura. Não desejamos os meios propícios para nos desenvolvermos de dentro para fora; desejamos a renda para sustentar o estômago e os nossos vícios.
Sartre, Nietzsche e outros autores viram e abordaram o vazio existencial de forma brilhantes, mas cometeram o erro simples de tomar o efeito pela causa. A vida não é carente de significado; o contrário: a vida tem sentido em si mesma, há um sentido, mas não é porque ainda não encontramos (ou negamos) que esse sentido não exista. Há muito mais fanfarronice etílica nesse copo vazio do que verdadeira crença no vácuo.
No Brasil, um país onde 75% das pessoas são analfabetos funcionais (lêem um texto, mas não encontram o significado), seremos capazes de encontrar um sentido na vida e/ou uma direção social? O texto da vida está sobre a mesa; a responsabilidade por encontrar um significado nele está em nós.
“Quem tem por que viver suporta quase qualquer como”
Friedrich Nietzsche
23 fevereiro, 2011
O Nazismo e o Petismo - Duas formas semelhantes de governar

Sobre mim choverá críticas petrificadas, mas certamente em menor número comparado ao número de pessoas mortas pelos nazistas e de mentiras do PT.
Após ver o filme Arquitetura da Destruição comecei a elaborar um paralelo em minha cabeça. As táticas escolhidas por Hitler e o PT, suas escolhas, seus desejos e, claro, as conseqüências disso tudo.
O filme conta com muita clareza o material de propaganda e as idéias que foram propagadas. Hiel Hitler, como era chamado, era de um partido com a denominação muito semelhante ao que o nosso ex-presidente Lula se propunha: a causa dos trabalhadores. De um lado o Nazista pertencente ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, de outro o Petista com as mesmas bases socialistas e trabalhistas.
Todos sabem como fora a postura de Lula nas eleições que antecederam a sua vitória para a cadeira de presidente: radical e reacionário em todos os aspectos a respeito dos planos econômicos como Plano Real, política com FMI indo até o campo do salário mínimo e os benefícios como o "Bolsa Escola", o "Auxílio Gás" e o "Cartão Alimentação" que Fernando Henrique Cardoso criou. Aqui temos Lula falando da sua posição no presente e em 2000.
Hitler fez algo muito parecido, mas na ordem contrária. Primeiro lançou uma grande campanha pró-cultura, educação, aprofundando os investimentos em arte e em higiene da população (do ambiente de trabalho até as ruas e lares). Para ele, uma nação jamais pereceria tendo como bases uma cultura, educação e limpeza como nortes para todo o Estado. A propaganda utilizada era de cunho radical, não havia meio-termo. A raça ariana deveria ser a única, pois somente tendo uma raça pura, limpa e “saudável” é que a nação prosperaria. Os “loucos” que sofriam em asilos deveriam ser mortos, mas nas propagandas defendiam a “eutanásia”, pois aquelas eram “vidas sem esperanças”.
A propaganda nazista e petista é de cunho falacioso e em infinitos casos mentiroso. Hitler utilizou o dinheiro público para propagar as suas próprias idéias e obras; aqui no Brasil não é diferente: de janeiro a junho de 2010, a União desembolsou média de R$ 24,3 mi por mês contra R$ 12,3 mi dos três anos anteriores. Esse aumento não se deu, foi Lula que ordenou e ordenou esse aumento desproporcional aos feitos não pela necessidade do governo mostrar o quanto trabalhou, mas pelo ano eleitoral. Hitler plantou a idéia do Estado forte através da raça pura, da higiene, da educação e da família alemã; Lula, PT e todos os âmbitos do governo propagaram a idéia do “Presidente do povo”, “somente com Lula o Brasil ‘cresceu’” e mantras como “nunca antes na história deste país” fizeram o trabalho de transformar a dúvida e o questionamento que fundamentam a democracia em verdades absolutas. Questionar o presidente ou qualquer ação do governo era o mesmo que xingamentos pessoais. Da mesma forma aconteceu no III Reich, onde qualquer crítica ao governo e ao seu Presidente era vista como um ataque aos interesses do povo e do avanço da nação. Temos dois reis intocáveis lado a lado.
"A propaganda política busca imbuir o povo, como um todo, com uma doutrina... A propaganda para o público em geral funciona a partir do ponto de vista de uma idéia, e o prepara para quando da vitória daquela opinião". Adolf Hitler escreveu tais palavras em 1926, em seu livro Mein Kampf publica o Museu da Memória do Holocausto. A presidenta Dilma tomou uma postura mais branda e a favor da mídia após o Lula ter acusado abertamente a imprensa de criar “factóides” e “ataques midiáticos” ao questionar sua postura em dezenas de inaugurações e eventos onde usava do espaço público para fazer campanha para sua candidata Dilma. O TRE multou Lula por mais de dez vezes. Um presidente utilizando o espaço público e o dinheiro público (transporte de toda equipe e assessores, logística e marketing no local do evento, etc.) para beneficiar a candidatura de um elemento do seu partido. O real desejo é somente um: Poder.
O termo “eutanásia” era para designar o extermínio das “pragas” contrárias aos ideais do governo. Os judeus, negros e loucos – dentro outros tantos etnias – não eram contrários ao regime do Estado, portanto, não eram inimigos do bem-comum nem desejavam o mal da Alemanha; eram civis, cidadãos médios que viviam naquele país pagando seus impostos e trabalhando junto de todos os irmãos de outras “raças”. Após prender o judeu, órgãos do governo enviavam uma carta à residência do indivíduo contendo a mensagem de que ele fora para um campo de repouso onde seria curado de sua doença. Pouco tempo depois chegava outra correspondência dizendo que o “doente” permanecia em repouso. Por último, para o desespero de toda família, chegava a carta contendo a informação de que o pai da família não resistiu e morreu. Não havia explicações, as assinaturas supostamente do próprio presidente era falsificada e todo conteúdo era falacioso. O campo não era de repouso, mas de extermínio (tiro na cabeça ou câmara de gás); a única doença existente era de ser “judeu”; o indivíduo realmente havia morrido, mas há muito tempo e por uma causa não tendo a ver com doença.

Vivemos em um país onde a falácia reina. As cartas que recebemos vem em forma de imagens, sons e pronunciamentos veementes. Lula e PT se confunde de tal forma que muitos acreditam que o partido não existiria mais se não houvesse uma figura que segurasse todas os casos de corrupção. Mensalão foi somente um dos casos onde o presidente mentiu: “Eu não sei de nada”. Antônio Palocci, ex-chefe da Casa Civil, braço direito do presidente, renunciou ao cargo por denúncias de propina beneficiando donos de bingos; José Dirceu ex-chefe da casa Civil acusado pelo delegado da Polícia Federal de ser o chefe da quadrilha do Mensalão; Erenice Guerra, ex-chefe da Casa Civil, à beira das eleições presidenciais, foi exonerada do cargo por processos do Ministério Público onde a acusa de tráfico de influência para beneficiar grupos privados em contratos juntos a empresas e órgãos públicos.
A máquina pública, em ambos os casos (Nazismo e Petismo), está a favor do poder de meia dúzia de milionários, de poder dos companheiros, do extermínio da mídia, e principalmente da oposição.
Se alguém não lembra, aqui está o vídeo onde o presidente com maior popularidade da história do país diz “Precisamos extirpar o DEM da política brasileira”. Ao lado está toda a atual presidente do país batendo palmas. O que temos em comum entre Nazismo e Petismo? Um tirano, déspota, ganancioso e mentiroso. Nos dois casos são capazes de tudo, como já fizeram. Lembram do prefeito de Santo André?
De um lado um chefe que exterminou e matou milhares de pessoas, de outro um presidente “negligenciador”, dizendo que o país cresceu como nunca, após anos de críticas ao governo que antecedeu o seu, deixando um país falido, com um rombo de 50 bilhões para sua “escolhida” dar conta. Temos 70% de analfabetos funcionais, milhares de pessoas morrendo das filas de transplante (minha mãe morreu na última sexta-feira, 18 de fevereiro por estar há 5 anos da fila do transplante de fígado), cidades como Porto Alegre que não tem uma inauguração de hospital federal há mais de 30 anos, milhares de pessoas dependendo de uma bolsa família que dá a miséria média de R$ 70/mês. A negligência fez com que ele, em 2008, vetasse verbas para o mapeamento e prevenção de desastres naturais. Resultado: em números reais, tivemos mais de 1000 pessoas mortas nos desabamentos do Rio. Milhares de pessoas não receberão a ajuda do governo, tal como as vítimas catarinenses dessa mesma causa.
A política mata. O chefe é capaz de matar dando ordens ou negligenciando-as. A mentira só leva os tiranos ao poder porque o povo acredita nela. O povo alemão acreditou, o povo brasileiro também. Temos mais 4 anos desse poder, totalizando 12 anos. Povo brasileiro, prepare-se para mais Petismo, mais mortes, mais ignorância e muito mais mentira.
Um chefe que mente não é legítimo; o povo que elege a mentira é louco - loucura não legitima; um chefe ilegítimo e um povo louco constitui uma democracia?
Aqui tento dar um norte para um revolução silenciosa, verdadeira, sem alarde e caos.
17 fevereiro, 2011
Homens-Anfíbios
Há muitos que creem ser o medo o motor da espécie humana, o sentido para alguns existencialistas, o desejo libidinal para os freudianos ortodoxos e o desespero para quem lê qualquer livro onde o personagem se deparou sobre si mesmo, Deus e a vida.
O medo vem, arrebata e faz as pernas tremerem causando um “terremoto vivencial”. As cidades vão ao chão, prédios caem sobre os outros e isso não acontece diferentemente nos homens; eles cometem suicídio através do corpo, da alma e moral (atrelado à alma); caindo, também atingem os próximos e estremecem um círculo por medidas de tempo variáveis, mas duras e cheias de lágrimas.
Mover-se através do sentido é farejar sem a necessidade de nenhum órgão material, é a vida indagando e puxando. Alguns escolhem parar, ali ficar, evitando as respostas. “Eu não espero nada da vida”, mas “quem sabe é a vida que esteja esperando algo de ti”.
Enxergar o ser humano com a lente “filtradora” da libido sexual não é vulgarmente reduzir ao estado de animal-coisa; é enganar-se e beber do próprio veneno. Pode-se dizer que reduzir o ser humano as vivências infantis e aos seus mecanismos narcisistas é um bom indicativo de projeção (mecanismo de defesa) do vazio de quem organizou esses pressupostos; colocando não somente sobre um indivíduo, mas de toda humanidade. Somos, sim, movidos por instintos, conteúdos inconscientes, dando vazão às fixações e conflitos edípicos, porém, não e tão somente podemos ser “desvendados” e vivenciados através de um passado que não existe mais porque, aliás, quem vive, vive no presente.
Somos os personagens da própria trama onde o escritor somos nós, agindo sobre si, tendo fé ou não em Deus e sendo os únicos responsáveis diante e na vida. Comumente o nosso desespero é projetado (o veneno) no meio social, nas organizações, nos pais, servindo de fuga daquilo que trazemos no peito, na alma. “O corpo fala”, não?! Quando a alma não dá conta, ou quando a negamos, o corpo trata de fazer o seu trabalho de sinalizar. Por estarmos mais preocupados com a carne e os seus prazeres (vontade de prazer e fuga do desprazer) é o corpo que a alma utiliza como sinalizador do desespero. Se não paramos, investimos atenção à alma e refletimos, o corpo trata de paralisar através das doenças – muito estudadas pela psicossomática. Que desespero é esse?
Quando mergulhamos em nosso Rio, rumo ao profundo do Eu, encontramos o desespero. Isso causa o medo. Temos medo de ter medo. Medo de descobrir o próprio Eu e assim desesperar em cliclos eternos – de mergulhar, se afogar, desesperar por descobrir, estar se afogando e não conseguir abrir os olhos apontando a superfície, alguns preferindo o afogamento. O homem é anfíbio. Precisa do ambiente mais denso e difícil de submergir - ele nasceu para isso e os órgãos do espírito estão todos a postos. Ele pode escolher mergulhar, encontrar o alimento para a própria vida, desafiar o desespero, encontrar a fé e Deus dentro de si, descobrir quem se é e voltar para a terra. Muito répteis ainda não saíram da casca existencial; estão sob a terra.
Aos corajosos e fortes de espírito a vida trata de assegurar sua sobrevivência enquanto submersos e sobre a terra. Cabe ao Homem-Anfíbio encontrar as profundezas, mas avistar no horizonte o que o próprio Eu-Leito não pode conceder; o sentido para onde caminhar, novos desesperos a superar, novos perfis do rosto de Deus e muito outros Rios a se banhar.
17 janeiro, 2011
Que é felicidade?

Se a felicidade é reduzida a certas drogas, tome-as e seja feliz. O fato é que remédio algum é feliz ou torna alguém feliz. Ele pode auxiliar o corpo a manter relativo equilibrio químico, nada mais.
O tema "Felicidade" é amplo e com diversas visões. A minha é de que felicidade não se conquista, não se compra, não se rouba. Felicidade, segundo creio, não é uma criação da mente, não é mera abstração, não é nenhuma homeostase do corpo tampouco da mente. Felicidade é o desenvolvimento, nossas ações e realizações dos nossos valores de vida, ser humano, Deus. Felicidade não se alcança nem se chega como se fosse ter chegado ao cume. Felicidade é o próprio caminho da vida. Ao caminhar já podemos ser felizes. Felicidade é ter um sentido para viver e realizá-lo. Não é possível dar sentido a vida, mas encontrá-lo e nunca estará em nós mesmos; isso é orgulho, egoísmo, narcisismo. Podemos encontrar sentido no sofrimento, na culpa, na morte, nos problemas diários, ao ajudar alguém, ao cuidar de alguém próximo ou não, realizando uma atividade, construindo algo que seja útil principalmente aos outros, oferecendo uma obra proveniente do nosso intelectual, científico, sentimental...
Quando mais se busca a felicidade, mais erramos o alvo, a meta. Felicidade só existe verdadeiramente como efeito colateral as nossas realizações, não como objetivo principal e único na vida.
"E onde a sorte há de te levar / Saiba, o caminho é o fim, mais que chegar" Rodrigo Amarante
10 janeiro, 2011
Liberdade: Infinita e Responsável

A paz não é sinônimo de viver bem nem suficiente para encontrar o que precisamos. Da nossa vida o maior e único responsável somos nós mesmos. O que ocorre frequentemente é que tentamos fugir ou diminuir nosso compromisso eterno com nós mesmos. O caminho (não digo mais fácil) é o de projetar a responsabilidade de mudar os meios e nós mesmos naquilo/naquele que está fora de nós.
Mas e se a vontade sobre a minha vida é dirigida por Deus, esse ser Supremo, Justo e Bom? Deus como, sendo justo, não dar-nos-ia o fardo que não pudéssemos suportar, tampouco tiraria do ser humano o livre arbítrio e a responsabilidade de se posicionar diante das coisas que a vida nos apresenta; é daí que existe o mérito na evolução: a partir da escolha e labor. Qual seria o sentido de viver se fôssemos meros joguetes do acaso ou de outro Ser extra-nós? A vida nos impõe e até nos ataca, muitas vezes nos trancafia e, de certa forma, perdemos um dose grande de liberdade, seja ela física, psicológica ou espiritual, mas não perdemos a totalidade da liberdade seja qual for a situação ou imposição da vida. Exemplos de liberdade não nos faltam, mas o ser humano insiste acreditar no niilismo a ponto de dizer que nascemos ao acaso, vivemos ao acaso, somos obreiros do acaso, a vida é incerta, somos totalmente condicionados pelo meio e não fomos nem seremos livres. O niilismo mora sobre o nada e o nada nada provem.
Talvez sejamos eternamente obrigados a viver e até sofrer, mas somos livres e responsáveis por escolher como viver e se posicionar diante da vida e do sofrimento.
19 novembro, 2010
Novo artigo: Rousseau e uma possível revolução silenciosa
Tento mostrar a questão da falta do sentido que assombra a sociedade; tanto nos particulares, quanto entre governantes e no movimento da sociedade - que deveria ler e agir coerentemente com seus propósitos.
O Contrato Social é, talvez, o modelo mais próximo da configuração do nosso Estado. Mas somente servindo de molde, pois está longe de ter as linhas como foram escritas. Faço um paralelo entre as políticas de Estado no Brasil e essa excelente obra. Convido todos a lerem e, por si, compararem o que fora proposto e como vivemos no presente, como agem nossos políticos e o que podemos - e devemos - fazer para termos um caminho mais digno a trilhar. A educação é a forma que encontrei para isso.
Clique aqui para ler nesse mesmo blog
ou
Clique aqui para baixar o artigo em formato MS Word 97-2003
22 outubro, 2010
Política como Consequência




16 setembro, 2010
Greve dos Residentes - Esqueceram de alguém!

Hoje o usuário do Sistema Único de Saúde, senhor José Regimberto da Silva, quem acompanho em todas as suas consultas, teve mais uma frustração. A segunda, desde o início da greve dos residentes de medicina – da psiquiatria, mais precisamente. Não foi atendido por sua “doutora”, a que tem certo vínculo e administra sua medicação psiquiátrica. Na primeira, o usuário fora atendido por alguém que não recordamos o nome. Este veio com uma modificação esdrúxula na dosagem de um novo medicamento. Na outra semana a consulta foi desmarcada devido a ausência causada pela greve da profissional.
Às 14h de hoje, 16 de setembro, novamente o usuário necessitando de nova receita e, principalmente, atendimento psicológico, não foi atendido e saiu de mãos abanando. Sua medicação está no fim.
Quem sofre com isso? O usuário. Os que diariamente ajudam e auxiliam essas pessoas tão desassistidos pelos governantes ficam indignados e tristes, tal como estou. Políticas públicas perfeitas, técnicas científicas tidas como exemplares, profissionais altamente qualificados no que diz respeito à academia, mas... quem realmente deveria ser beneficiado por isso tudo? Esse não é atendido, nem respeitado. O motivo é que esses profissionais estão preocupados com o aumento de sua bolsa-auxílio pouca, de “apenas” R$ 1.916,00. A média da bolsa-auxílio nacional, entre todas as outras profissões, segundo levantamento feito em 2009, é de R$ 806,00. Temos uma diferença de R$ 1.110,00. O que isso nos indica? Não somente abismo em relação a quantidade de dinheiro, mas também no egocentrismo dos profissionais que ainda se acham superiores.
Temos perguntas a serem respondidas e pessoas sendo negligenciadas por desejo de mais dinheiro no bolso. Que toda categoria, todo profissional seja remunerado de acordo com o seu trabalho e sua qualificação. O que não anula de que seus esforços para ganhar aumento não passe por cima dos que precisam de ajuda urgente; que tanto já sofreram em manicômios, pensões precárias, clínicas psiquiátricas subumanas. Sejamos mais humanos, procuremos o meio-termo, que o efetivo de profissionais não seja reduzido à zero, que os supervisores e administradores tragam para si a responsabilidade que lhes cabem.
Diante do que vem acontecendo e do tão falado Ato Médico - movimento político que busca centralizar o poder das áreas da saúde em torno de um único profissional (médico) – devemos abrir os olhos e avaliar se esses profissionais após sua residência vão trabalhar por humanos ou por somente pelo dinheiro.
Esse texto ironicamente parece ser continuação do artigo escrito no último post deste blog.