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Entre cachos
A imagem e o abismo nas redes sociais

As redes sociais estão cheias de ostentação. Ela, por si só, trabalha com evocações de imagens e significados, mas como somos um tanto entediados, precisamos de mais.
Há milhares de anos os humanos se organizam em grupos e constroem as suas identidades. Aqueles grupos são infinitamente menores que os grupos criados nas redes sociais do mundo virtual. Precisamos levantar algumas bandeiras de cores diferentes dos demais para que sejamos alguém. Homens e mulheres gostam disso, mas, relativamente, as mulheres tendem a dar mais valor a aparência e a imagem que pretendem divulgar – agora não para o fim exclusivo de reprodução em círculo restrito; no Facebook, por exemplo, podemos ter mais de 2 mil “amigos”; cada amigo tem outros tantos amigos; a navegação entre os perfis é livre, o que pode impedir é o bloqueio de determinados conteúdos (até que a referida pessoa aceita a sua solicitação e torne a ser conhecido o conteúdo até então privado).
A imagem é utilíssima para vender, no entanto, há um conteúdo por detrás da imagem; dotado de significado, valores e impressões falando, e muitas vezes gritando, informações inerentes àquela pessoa, não necessitando assim perder tempo lendo o que a pessoa estuda, o que faz, a que investe seus neurônios e tempo. Por exemplo: quando entramos em um perfil, clicando nos álbuns, nos deparamos com fotos em que parece ser obrigatório a publicação exclusiva de fotos de festas. Todos sorriem, levantam suas taças, há fotos dos melhores espumantes, pulseiras vip em todos os punhos, e todo o resto que todos já se depararam. O que há por trás de tudo isso?
O óbvio é constante; tal como pode ser esse texto. Vivemos em um mundo onde a masturbação visual é freqüente. Tudo brilha e se modifica nas mãos de habilidosos em softwares como Photoshop e até nos programas do Picasa. A imagem que foi captada pela lente da câmera - seja ela do iPhone, celular ou até mesmo de uma câmera profissional(!) – passa pelo “filtro” próprio do equipamento. Mas somos entediados, precisamos de mais. Após o primeiro filtro, aplicamos outros tantos de acordo com a nossa vontade de mostrar exatamente e somente aquilo que desejamos que os outros vissem. Está tudo devidamente moldado, paralisado e o pior: esterilizado, cheirando a formol tecnológico.
Tenho a impressão de que não nos apropriamos de nós mesmos; à priori precisamos de ferramentas e meios que modifiquem as impressões que talvez os outros terão de nós, ao invés de me modificar, já que não gostaria que me vissem assim como sou. Utilizando um exemplo de Luciano Marques de Jesus, professor de filosofia da PUCRS, onde retrata a situação tediosa que somos acometidos: a menininha tem a boneca que come, a que bebe água, a que anda, a que engatilha e faz coco, a que fala, a que fala e chora e até a que dorme. Ela quer a primeira boneca, mas ela não é suficiente (e não há problema nisso), nós nos contentamos com pouquíssimas coisas, por isso acumulamos pilhas e pilha de bugigangas que em tempo recorde deixarão de matar o meu tédio. Domingo à tardinha é o ponto alto dos entediados.
Estamos vazios. Eis a pior parte deste texto. Há um vácuo existencial em nossas almas. Recorremos a redes sociais com a esperança de ter alguém presenciando o meu sofrimento, aquilo que nem sei o motivo de estar vivendo e expressando; só sei que estou. As coisas infelizmente são mais suscetíveis de serem mudadas; os seres penam e se contorcem em sua covardia em labutar em busca de uma realização rica de sentido, que seja útil para alguém e que talvez enriqueça essa vida miserável baseada na imagem oca. A felicidade, como todos as maiores realizações, só é alcançada como efeito colateral a realizações de valores; alcançada sempre a longo prazo, após muita aprendizagem, experiências e entrega aos meios que estão possibilitando os fins.
Se parecer uma crítica a quem ler esse escrito, terei atingido o objetivo que me propus. Criticar é pensar com argumentos. Talvez seja construtivo criticarmos o Rei Roberto Carlos pelo verso “Eu quero ter um milhão de amigos”, porque, afinal, ninguém pode ter um milhão de amigos verdadeiros em uma rede social, mas podemos ter poucos followers com quem dividimos abraços, idéias e palavras de amor que nenhum software poderá criar ou modificar.